INVASÃO DE PRIVACIDADE

João 4:16-20 (NVI)

16Ele lhe disse: “Vá, chame o seu marido e volte”.17″Não tenho marido”, respondeu ela. Disse-lhe Jesus: “Você falou corretamente, dizendo que não tem marido.18O fato é que você já teve cinco; e o homem com quem agora vive não é seu marido. O que você acabou de dizer é verdade”.19Disse a mulher: “Senhor, vejo que é profeta.20Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”.

Estava Jesus conversando com a mulher samaritana quando, em dado ponto, o assunto se torna absolutamente pessoal na medida em que o Mestre rompe a distância étnica, social e religiosa. Ele adentra o coração e a vida daquela mulher mudando o foco do assunto para seu relacionamento com um homem que não era seu marido.

A pessoalidade é sempre presente nas relações de Jesus.

O Cristo não quer distância, mas proximidade e acesso total aos esconderijos da alma. Quer curar feridas; lidar com questões da psique humana; libertar da dor; ajustar vidas à vontade divina; corrigir caminhos e trazer ao ser humano tanta humanidade quanto possível. Jesus quer corações dispostos a uma invasão de privacidade.

Cabe perceber uma mudança drástica na direção desse diálogo. Passa da pessoalidade para uma questão técnica e teológica quando o assunto que “vem à baila” é uma dúvida a respeito do local adequado para adoração sacrificial realizada por judeus e samaritanos. Entendo que a mulher se sente desconfortável com o viés da conversa e rapidamente busca uma saída para trazer à tona algo menos privado e mais coletivo. Era mais fácil falar da religião, das leis e dogmas do que de sua situação marital.

Era necessário fechar aquela porta.

Assim agem muitos, que ao conversarem com Jesus, priorizam assuntos da teologia e da religião. A preocupação é de ordem legal e dogmática, nunca das coisas do coração. Querem saber muito do coletivo e nada do individual, pois qualquer possibilidade de acesso que Jesus tenha aos porões de suas sujas almas os incomoda.

Já me ensinou Prof. Ziel Machado que: “se nossa teologia não nos coloca de joelhos, de nada serve”.

Assim, não tenho dúvidas que Jesus prefere corações convertidos, ao conhecimento vazio das discussões teológicas sem piedade. Bom é se lembrar que os grandes embates de Jesus aconteceram com os religiosos judeus. Homens que conheciam a lei em todos os detalhes, mas a quem faltava a vida que reflete o conhecimento. É óbvio que tal preferência, não avaliza a ignorância, dispensando o conhecimento. Antes, nos alerta a respeito do perigo de uma inversão de valores em nossa relação com O Cristo.

Desejo ser aquele que conversa com Jesus sobre tudo, mas principalmente a respeito de meu próprio coração pecador e carente de Sua graça, ainda que isso me incomode profundamente.

Hamilton Gomes

4 comentários

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  1. SENSACIONAL! GLÓRIA A DEUS!!

    • Kaio Pinheiro em 17 de novembro de 2021 às 07:01
    • Responder

    Maravilhoso esse texto, que bênção! “Desejo ser aquele que conversa com Jesus sobre tudo, mas principalmente a respeito de meu próprio coração pecador e carente de Sua graça, ainda que isso me incomode profundamente.”

    • Kaio Pinheiro em 17 de novembro de 2021 às 07:02
    • Responder

    @hamilton, esse título me lembrou o disco do Ratt, que diga-se de passagem que é um ótimo disco de hard glam dos anos 80. Abraço e por favor continue….

    1. Esse não conheço…vou ouvir. Obrigado!

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