…QUEM ESTÁ PEDINDO ÁGUA?

João 4:9-10
9 A mulher samaritana lhe perguntou: “Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber?” (Pois os judeus não se dão bem com os samaritanos.) 10 Jesus lhe respondeu: “Se você conhecesse o dom de Deus e quem está pedindo água, você lhe teria pedido e dele receberia água viva”.

Em sua missão em terras samaritanas, Jesus se encontra com uma mulher. Ela está fazendo o que as mulheres, dominadas e súditas de um sistema patriarcal fazem. Seus afazeres duros, feitos em meio a aridez da terra em que vive, traz alívio aos animais, aos filhos e ao homem a quem reponde. A água é prioridade. Ela mesma era portadora de uma profunda sede existencial que não cabia em si. Aquele tipo de sede que nem toda água do mundo resolveria.

Seu coração queria água viva, mesmo sem que ela soubesse disso.

Jesus a encontra e pede água, mas ela não sabe quem Ele é. A figura de um homem judeu, a remete a desprezo e violência, nunca a uma interação sadia. Eles a odiavam, como a todos de seu povo e provavelmente, ela tenha ouvido de sua mãe, ou de quem a criou, que não deveria dar ouvidos a desprezos gratuitos e ofensivos. Assim, aprendeu a responder com firmeza qualquer aproximação. Precisava se proteger. Sua memória guardava os abusos e xingamentos dessa relação étnica mal resolvida. E quem garante que o homem sua frente, não será como tantos, machucando sua alma, ferindo seu coração?

Então ela pergunta: “Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber?” Essa é uma pergunta que intenciona outras perguntas: Que ousadia é esta? O que você está fazendo? Por que essa aproximação? Você não entende que há uma distância entre nós? O que você quer, além da água? É uma pergunta cheia de tensão, daquelas que querem causar desconforto e recolocação ao interlocutor.

E Jesus entende. Ele sempre entende. Aliás, Ele entende tudo!

Não há coração humano que esteja encoberto a Ele. Pode ser um líder político que o procura na calada da noite, ou uma mulher que sorrateiramente toca suas vestes em busca de cura, ou até mesmo um discípulo, que o trocará por 30 moedas de prata. Nenhum coração está escondido de Jesus. Ele sabe o vazio que nos atormenta. Ele entende a dor das perdas que vivemos. Conhecendo mais de nós, do que nós mesmos, amorosamente se dirige a nós.

Ele é o Deus que chora com os que choram.

Para Jesus, o verbo que se fez gente e habitou entre nós, não é difícil se embrenhar pelos caminhos de uma Samaria que o rejeita, para alcançar aquela mulher em sua dor e sofrimento.

Para Jesus, aquele sobre o qual habita a plenitude de todas as coisas, não é difícil superar as barreiras étnicas, sociais e culturais.

Para Jesus, aquele que é antes de todas as coisas, e em quem tudo subsiste, não é difícil se desapegar da plenitude divina para se tornar servo e diante da sede de uma viagem exaustiva, pedir água.

Aquele que pede água, estava ali por amor e para amar! Simplesmente isso.

Mas a mulher não sabia… Jesus estava ali, e ela não sabia. Suas conclusões a respeito do homem a sua frente eram fruto da vida, das relações, decepções e frustrações. Coisa muito comum entre nós. Desenhamos o outro a partir das marcas e experiências que adquirimos na rodagem da vida dura debaixo do sol e as vezes, como ela, estendemos nossas precipitadas conclusões à pessoa de Cristo e o enxergamos desfocadamente, sem sabermos bem, quem é esse que se aproxima em amor, para amar!

A partir daí, vem o interesse, o utilitarismo, ou mesmo o desprezo, pois um coração machucado, não se dobra à novas experiências com tanta facilidade.

Por isso, não nos entregamos a essa relação de amor. A essa relação para amar.

Por que tudo depende de se saber: … quem está pedindo água?

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