CORRERIA

João 4:1-4 (NVI)

1Os fariseus ouviram falar que Jesus estava fazendo e batizando mais discípulos do que João,2embora não fosse Jesus quem batizasse, mas os seus discípulos.3Quando o Senhor ficou sabendo disso, saiu da Judéia e voltou uma vez mais à Galiléia.4Era-lhe necessário passar por Samaria.

Jesus sai da Judéia ao sul e vai para Galileia que ficava ao norte e para isso dispunha de dois caminhos. Um deles passava pelo território samaritano e o outro através do Jordão, sendo este muito mais longo do que o primeiro. Alguns estudiosos dizem que os judeus não utilizaram a rota por Samaria, com quem tinham um problema histórico e político iniciado no tempo da divisão em dois reinos, Norte e Sul. Ademais, havia a questão da miscigenação com povos estrangeiros, algo inaceitável pelo judaísmo, gerando um grande preconceito por parte dos judeus e muito ressentimento por parte dos samaritanos. D. A. Carson, grande estudioso, diz que o historiador Flávio Josefo, provê ampla garantia, não só de que a antipatia entre judeus e samaritanos era forte, mas também que “(…) judeus passando da Judeia para a Galileia, ou o contrário, preferiam, (…) o caminho mais curto através de Samaria”. Se tal informação está correta, pode-se dizer que o ódio era grande, mas um judeu não deixaria de encurtar sua viagem em cerca de 12 km por isso.

Bem, o detalhe é que João diz: 4Era-lhe necessário passar por Samaria. Obviamente se referindo à viagem de Jesus. Surge então a pergunta: é necessário passar por Samaria, pois se tratava do caminho mais rápido, ou era necessário passar por Samaria por uma motivação missional? Talvez fosse necessário por ambos os motivos.

Sabemos o que aconteceu quando Jesus passou por Samaria e se encontrou com a mulher no poço de Jacó, mas o destaque é pensar que Jesus, mesmo escolhendo o caminho mais rápido – segundo a informação anterior, não deixa de atender ao chamado de um coração que pede socorro.

A vida está cada vez mais rápida e reconheço que é difícil escapar do redemoinho social que leva todos nós a um modelo de vida com mais compromissos do que deveríamos ter, exigindo mais resultados do que podemos produzir e nos cobrando mais do que suportamos pagar. A vida ensandecida dos centros urbanos está nos matando, mas reconheço sua força e atração. Não me rendo a tal modelo, mas penso que pelo menos, não podemos, em meio à escolha de caminhos mais rápidos, deixar de atender nossa vocação.

Há muita dor para não vermos.

Muito choro para não socorrermos.

Há gente procurando Deus em distâncias menores do que imaginamos.

Assim, penso que se correr é preciso, ouvir, perceber e acolher a dor alheia também é.

Que Deus nos ajude!

Hamilton Gomes

1 comentário

  1. Excelente texto!!! 🙏🏼

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