TORONTO – CANADÁ

Estou no voo JJ8190 da Latam em direção a Toronto no Canada. Faremos uma escala em Miami onde, possivelmente, postarei esse texto. Durante o corrido dia, cheio de preparativos para a viagem, pensei que poderia aproveitar as longas horas de voo para escrever alguma coisa, mas não tinha um tema muito claro.

Então pensei em escrever a respeito da própria viagem. Tudo começou bem. Reservei o dia para arrumar as malas e equipamentos, verificando tudo o que é preciso se levar para uma viagem assim. Estamos indo até lá para tocar, portanto, o equipamento é fundamental.

Depois de ajustar tudo, fui até a farmácia, comprar alguns remédios básicos. Minha rinite e enxaqueca frequentemente dizem “oi” em viagens como essa. Então a prevensão é tudo. Depois de comprar comida e antipulgas para a Monalisa e cortar o cabelo, voltei andando para casa. Tudo correu muito bem.

Cheguei cedo no aeroporto. Não mais cedo que o Marcelo, que sempre é o mais adiantado e depois de um tempo, apareceram o Jorge e o Zé Bruno. Check-in sendo feito e na hora do meu atendimento, a moça me pergunta sobre o visto americano e imediatamente fico sem chão. Me esqueci do passaporte em que se encontra o bendito visto. Imaginem o stress.

Liguei para casa e pedi para Ana, minha esposa, achar o passaporte. Ela me informou que o Vitor, meu filho mais velho, estava em casa. Falei com ele para correr, chamar um Uber e, desculpe o trocadilho, “voar para o aeroporto”. Eram 21:10h o check-in se encerraria as 22:05h. Momentos de tensão se apresentaram. O Zé e o Marcelo faziam a live para falar sobre as novas músicas e o Jorge me ajudava. As 21:50h meu filho entra pela porta do Terminal 3 e me entrega o passaporte. Tudo resolvido.

Por isso estou a muitos kilómetros de altitude, usando meu teclado, que não possui acento, escrevendo esse texto para você. Nada glamouroso ou chique.  Pelo contrário, bem normal e difícil. São os bastidores da vida.

Mas amanhã, na hora do almoço, chegaremos em Toronto e logo você terá fotos e vídeos nossos nas redes sociais. Tudo ficará lindo. Escolherei os melhores ângulos, as melhores paisagens e tudo será perfeito. Mostrarei os passeios, as compras e postarei as fotos do evento em que participaremos. Ali subiremos no palco e faremos o que tanto amamos. Tudo bacana demais. Mas não se engane, isso não ocorre com tanta frequência. Gostaria de viajar mais, de tocar mais, de gravar mais, enfim, de estar mais no palco. Entre outras coisas, sou um artista e amo fazer minha arte chegar a outros, mas a vida fora dos palcos é bem comum. E não posso tentar viver a vida sem os bastidores que me levam ao palco.

Penso que é preciso saber que a vida é feita de muitos momentos de bastidores e poucos momentos de palco.

Todos temos nossos “momentos” de palco: Um vendedor que alcança a meta, uma mãe que faz o filho dormir, um advogado ao vencer uma causa ou mesmo uma adolescente que tira aquela boa nota.

Mas nos bastidores a exigência da normalidade acontece, pois ali a vida continua e tem suas demandas. Tudo é muito normal e difícil, mas é vida é boa assim como é.

Imagine uma vida sem os bastidores tão normais. Definitivamente não seria vida. A vida é feita de momentos lindos, mas simples.

A vida é feita de erros, complicações, esquecimentos, foras, esforço, dedicação, acertos, esquisitices e outras coisas nas quais não se encontra glamoiur nenhum, mas elas compõe a vida.

Ser normal é viver a vida dos bastidores de maneira a errar o mínimo possível, mesmo sabendo que se vai errar. No palco a gente se apresenta e celebra mas é nos bastidores da vida que a gente vive. Pés no chão e vida que segue. Te mais …

3 comentários

    • ANA LUCIA em 13 de setembro de 2019 às 09:24
    • Responder

    Amei. Pena os palcos estarem cada vez mais escassos.

    1. Obrigado pelo comentário, meu amor!

    • Ricardo Ferreira em 19 de setembro de 2019 às 11:56
    • Responder

    Grande Mito, estou gostando muito desse seu lado de escritor, muito bom seus textos.

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