VIVER E DEIXAR VIVER

João 13:34-35 (NVI)

34″Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros.35Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”.

Na primeira guerra mundial, com a parca tecnologia militar a disposição, os combates aconteciam no cara a cara. As trincheiras, que abrigavam os sondados dos tiros e bombas inimigas, tanto de um lado como de outro, as vezes eram separadas somente por 100mts, e a zona situada entre elas era chamada de Zona Morta. Assim, os soldados conseguiam ver seus inimigos, e até mesmo ouvi-los, havendo relatos de momentos em que se ofendiam mutuamente e os oficiais incentivavam tal situação para que a moral da tropa ficasse em alta.

Mas haviam momentos de paz e uma trégua temporária era instaurada. Assim, a Zona Morta podia ser ocupada por ambos e nenhum tiro seria ouvido, havendo inclusive, relatos históricos de jogos de futebol envolvendo os dois lados da batalha.

As motivações para esses tempos de paz eram a necessidade de se recolher e enterrar os mortos, mas também a básica falta do desejo de se lutar, imperando um lema entre os exércitos:

Viva e deixe viver.

Penso que os soldados, diante de uma batalha em que era necessário olhar para os olhos de seu inimigo, fosse para atirar e mais ainda para usar de combate físico, não aguentavam muito tempo. Diferente do que mostra Hollywood, olhar para os olhos de alguém e mata-lo, deve ser normal somente na loucura de um psicopata. Isso porque, olhar para o outro é, de alguma forma, olhar para si.

Imaigno a tristeza de um soldado que ao tirar a vida de outro, se percebe ali, matando alguém que, apesar de outra nacionalidade, cultura, língua, e exército diferente é tão parecido com ele.

Nas guerras atuais esse problema foi, em muito, “resolvido”, pois pouco se vê o exército a ser derrotado e contando com misseis guiados por GPS, que surpreendem os semelhantes sem que haja necessidade de vê-lo, a distância não é mais problema para matar. Assim a vida do outro que será morto, pouco importa, pois é somente um soldado inimigo.

Não posso deixar de pensar que replicamos em nosso cotidiano esse comportamento, pois antigamente, havia o olho no olho, a conversa, o encontro, a relação, e as divergências eram resolvidas assim, mas agora, escolhemos a máscara das redes sociais para ofender, criticar, destratar e matar pessoas. Penso que nos falta o olhar nos olhos, para perceber que o outro tem muito mais a ver comigo do que imagino.

Proponho tempos de paz! Quem sabe até um jogo de futebol! a volta do encontro, da conversa, do abraço, do olho no olho.

Sempre é bom VIVER E DEIXAR VIVER!

2 comentários

  1. Muito bom texto meu brother!
    Falta-nos o “olho no olho”, infelizmente até dentro das igrejas. Falta o interesse pelo “ser humano que o irmão é, e sobra interesse pelo que o irmão tem”. Há uma supervalorização do que o indivíduo produz em seu ministério, e um desdém quanto a dar valor as qualidades como ser humano, dotado de imperfeições e superações…

    1. Olá Tiago. Perfeita observação. Obrigado pelo comentário. Abçs

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