MEU FUTURO ESTÁ NESTE LIVRO!

O registro fotográfico aconteceu em São José da Coroa Grande cidade pernambucana e a cena não seria diferente de muitas já presenciadas nesse Brasil desigual.

Uma garotinha, toda molhada sendo resgatada da enchente que invadiu sua casa. Mas o detalhe está na mochila que Rivânia, de apenas 8 anos, carrega tão vigorosamente em seus braços. A mochila está cheia de livros, seus livros. Ao responder ao comando da avó que disse a ela para pegar o que tinha de mais precioso e sair da casa invadida pelas águas, Rivânia não pensou duas vezes e ao contrário do que se espera para uma menina dessa idade, agarrou seus queridos livros escolares.

Respondendo ao repórter que a entrevistou a respeito do ocorrido, Rivânia solta a frase que dá sentido à escolha tão inusitada: Meu futuro está nesses livros. A pequena Rivânia tem sede de conhecimento e sabe que na selva capitalista, um dos trunfos que pode determinar uma vida mais confortável a ela e sua família é o estudo e a aquisição do conhecimento.

O ser humano vive uma evolução cognitiva natural em sua existência e morremos sabendo mais do que sabemos quando nascemos. Tal evolução independe do acesso a transmissão formal de informações. É obvio que a carga de conhecimentos adquirida por aquele que estuda sempre será maior do que aquele que, por diversos motivos, não tem acesso ao sistema regular de ensino.
Mas não se pode deixar de perceber a evolução de conhecimento que ocorre na vida daqueles que, como meus pais, mesmo frequentando a escola somente alguns anos, ou nem isso, crescem, evoluem, aprendem e se desenvolvem. Ao perceber que podia acumular conhecimento e assim viver melhor, a humanidade se embrenhou em fazê-lo e durante o momento histórico chamado de “modernidade” tivemos a sensação de que todos os nossos problemas estavam resolvidos. Afinal, uma humanidade desenvolvida e com acesso à tecnologia encontraria a paz.

Mas isso não ocorreu.

Nunca nos matamos tanto. Sabe-se que o conhecimento como instrumento de transcendência e mesmo de salvação já havia sido apresentado à humanidade por caminhos como o Gnosticismo, mas ainda hoje, quando a tecnologia se renova e uma enxurrada de informações chega até nós em um ritmo alucinante, não resolvemos nossas questões interiores.

Mesmo sabendo muito e cada vez mais, não sabemos quase nada de nós mesmos. Está na hora de percebermos a importância do conhecimento que não adquirimos, mas que nos foi dado de maneira divina e sobrenatural e está a nossa disposição há muito tempo. Palavras que ganham o interior, preenchem, transbordam e transformam o coração daqueles que delas se alimentam e por isso, com muita propriedade o Salmista diz: Lâmpada para meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos (Sl119:105).

Penso que o texto sagrado, a Bíblia, precisa ganhar nossos corações. Para a fé cristã, não existe nada mais valioso do que seus ensinamentos e a revelação divina que se tem acesso através de suas palavras, mas o paradoxo é visível, cristãos e bíblia não estão andando juntos.

Aquela que é a base de tudo o que o evangélico diz viver está relegada a coadjuvante e não é, pelo menos nesse momento histórico, a prioridade do crente brasileiro.

Há uma esquizofrenia no discurso evangélico tupiniquim, pois o livro que é sua regra de fé, apresenta um caminho, mas as pregações, discursos e o modos operandi da maioria que segue tal livro destoa de suas palavras. Abre-se o livro, lê-se algo e prega-se outro. E com certeza o pior, vive-se a contramão do que o texto sagrado ensina. Assim se usa a bíblia como instrumento de justificativa para os pensamentos que nela não estão contidos.

Já se diz que devemos olhar o passado para corrigir o presente e acertar no futuro, portanto, a aproximação do aniversário de 500 anos da Reforma Protestante em 31 de outubro próximo, pode ser um motivador que nos leve a rever nossa relação com as escrituras e inspirados pelo apego que Lutero e seus pares tiveram a bíblia possamos recolocar o Texto Sagrado em seu devido lugar.

A nós cristãos, cabe perceber a necessidade de a bíblia estar presente e no centro de nossa espiritualidade e que a frase da Rivânia seja vivida intensamente por nós, afinal de contas, nosso futuro está nesse livro!

4 comentários

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    • Felipe em 26 de agosto de 2019 às 19:45
    • Responder

    Grande Hamilton
    Como você vê esse cenário 2 anos depois da data do texto?
    Vejo um cenário parecido, se não pior. Mas lembro de como a palavra era mal pregada para as massas, pelos sacerdotes no templo, o quanto Jesus lutou contra costumes judaicos, que nada tinham a ver com a palavra.
    Talvez esse seja um vício do homem, querer apenas a atenção, a fama. Lembro de Jesus falando dos que oram em voz altas nas praças apenas para “aparecer”. Fazendo um paralelo com o texto sobre as prioridade é lembrando de Lutero com a sola scriptura, que esse livro seja realmente nossa prioridade, ele é de fato nosso futuro.

    Grande abraço!

    1. Olá Felipe.
      Obrigado pelo comentário.
      Acho que sempre teremos a tendência de afastamento das verdades da palavra de Deus, pois ela nos incomoda muito. Denuncia nosso erro e constrange o pecador. Somente uma ação divina pode nos ligar a ela. Que seja assim para nós.
      Forte abraço!

    • Andressa em 27 de agosto de 2019 às 08:05
    • Responder

    Pois então, não são todos que leem o manual, alguns leem interpretam de acordo como querem e outros por preguiça acabam seguindo, mesmo não sabendo se a interpretação desse que leu condiz com verdadeiros mandamentos do nosso manual de vida (que deveria ser a bíblia), e assim se sustenta a mentira de um telefone sem fio… Triste isso, mas que deixamos de lado a preguiça e comodismo, e voltemos para a verdade que liberta…Jesus e sua palavra.
    Paz querido, texto edificante. Deus abençoe

    1. Olá Andressa. Muito obrigado pelo comentário.

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